quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Old Times



Halanna Nóbrega


Como podes dormir, sem sono?
Como o desprezar, se tu admiras?
Como não ser grata, sendo?
Como é possível mascarar os sentimentos, se tu és tão transparente?
Assim como a água limpa de cacimba.

Vestir-se de orgulho torpe,
Fingir que não vês...
E fingir que não és vista,
Somente para não se cumprimentarem em um encontro ao acaso.

Como podes?
Somente para manter adormecido,
O soturno afeto que te feriu outrora?
Dividir afinidades preciosas durante a breve amizade que existiu:

Versos, parágrafos, poesia
Cinema, música, fotografia
Literatura, cemitério, carta de alforria
Indicar autores, romances, poetas
Dividir livros, copos, amigos na mesa de bar.

A fresta que restou no canavial e não cresce...
A finada amada que não mais virá na outra vida...
Aquela música que nunca mais tocou ...
A lágrima perdida do Pierrot e a angustia apaixonada...
As palavras dilaceradas que se perderam...
E os olhos d’água que secaram.

Farpas, palavras mordazes e segredos publicados
O sórdido amor que dinamitou uma amizade infinita
Pondo-a um fim.
(Tanto que aprendi e ensinei)

E agora, 
que fazer destes versos...
Se não sei como os entregar?