terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Derrame a taça


Luna


"...Derrame a taça
E deixe que se quebre o velho cristal.
Não tente conter o que se for.
E se vai, parte, então deixe ir.
O que parte, depois que se parte
É o que fica do caco que crava,
Calo que fica do peso da taça,
E segue, partido, se espalhando
Por todos os cantos que não se quer...
E os pedaços miúdos
Já não ficam tanto a incomodar,
Como se fossem a ponta cega
De antes, de então, de sempre.
Sofrer mais de dores pequenas,
Dos restos menores,
É alívio para a alma,
Descanso do corte, 
Lento e profundo,
Que um rasgo de vidro (qualquer), deixou
Em um não cicatrizar jamais..."

As palavras proferidas que cortam o vento, cortam também a alma... 
E o tempo-cicatriz torna-se o peso que se carrega pelos dias que se arrastam...

Pelas palavras que ainda cortam...
Pelas almas que se reconhecem...
Pelos silêncios que buscam se entender...

Derramemos a taça... 





Fonte: http://almanevoa.blogspot.com.br/

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Subversiva


Ferreira Gullar


A poesia
Quando chega
Não respeita nada.

Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos

Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha

Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.

E promete incendiar o país.

Minha homenagem ao poeta Ferreira Gullar, falecido em 04 de dezembro de 2016.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Poesia pós eclipse da lua




Halanna Nóbrega
Madrugada de 28/09/2015



Desabo mesmo sendo forte!
Por que a saudade invade a minha vida com um golpe violento
Devasta tudo, despindo os meus mistérios
Encontra o âmago numa encruzilhada
E então me rendo...

Isso tudo acontece dentro de mim
Inevitável não sentir a sincronia da nossa energia
Quando te falo que andei pensando em ti
E me falas que pensou em mim também
Como se teu pensamento encontrasse com o meu
E se abraçassem em uma orbita distante
Onde somente o intangível é possível

Como esquecer os dias mais felizes da minha vida?
Como falar que conheço alguns lugares sem lembrar da gente?
Se foi por tua causa que estive lá
Das verdades tão nossas
Encoberta nas mentiras que contei tantas vezes
Até se tornarem verdade...
Somente para te proteger.