Halanna Nóbrega
O relógio marca 18 horas.
As pessoas cruzam meu caminho na saída do trabalho
“Boa noite, até amanhã”
Mas o sol, forte, ainda brilha!
E é impossível dirigir sem usar óculos escuros.
Saio no meu carro.
Sigo meu caminho pilotando no
automático:
“Pensando na minha vida. Nas escolhas que fiz. O que
conquistei e o que perdi até aqui!”
Inevitavelmente, caem as lágrimas e choro como uma
criança.
Penso: “tenho todo o caminho até chegar em casa para externar as minhas angústias, dores, tristezas e derrotas.”
Ponte JK. Eixo Monumental. Entrada do Sudoeste.
Contemplo o pôr do sol parada no semáforo.
Coração dilacerado.
Os olhos verdes, encharcados, brilham na
vermelhidão.
Entro no meu prédio. Fecho o carro.
Aperto o 2.
Subo pelo elevador.
No espelho, me olho e, sem graça, ensaio um sorriso.
“Tenho que ser forte!”
Respiro antes de girar a chave.
Entro em casa e abraço minha filha
Que ansiosamente esperava por mim.
Beijo afetuoso. Sincero.
Pergunto pelo seu dia e então mergulho em seu universo...
Sem que ela perceba nenhum vestígio da minha dor.
