terça-feira, 21 de junho de 2011

Inverno

Halanna Nóbrega 

Começa hoje a estação
Anunciam os calendários e os noticiários
Lá fora, a chuva, o vento e o tempo me convidam a recolher
Cá dentro, o canto da tempestade me fascina outra vez
Fico a imaginar os lugares que não fui e os amores que nunca encontrei
Deixando pedaços de mim nas linhas de um papel
Em minhas noites solitárias e soturnas.



sábado, 4 de junho de 2011

Pergunto tanto e ninguém nunca respondeu

Halanna Nóbrega

Num labirinto estreito e com espelhos quebrados
Encontrei portas fechadas e surpresas insanas,
me deparei com a dor e tive o sangue derramado.
Fui ferida com farpas afiadas pelo desencanto,
marcada com cicatrizes profundas.
As ânsias, dores, tristezas e derrotas
Não foram derrotadas pelos acasos do meu mundo!
Forçada pelos sonhos que desceram ralo abaixo
Envelheci em um corpo de menina, à velocidade da luz.
As raspas, os restos e as palavras dilaceradas, não me interessam mais!
Fantasiando ser um sonho ruim, em noite breve.
Olho pros céus e pergunto aos santos e aos poetas:
- Se são merecidas as minhas chagas, tão vivas?!
Que petrificam os sentimentos como rocha
Chagas invisíveis ao meu semblante,
Crateras profundas em meu coração.





quinta-feira, 2 de junho de 2011

End war

Halanna Nóbrega

A vida anda perante a morte.
Sobrevivendo a cada passo, dado por cada dia
que também é presenciado pela noite escura.
Mas como o som de uma trombeta
A vida desperta sobre a morte
e Deus prevalece sobre o demônio
As ânsias, dores, tristezas e derrotas
São derrotados pelos acasos do mundo.
Vivemos em um fim de guerra
Bem versus mal,
Eu versus você...
Mas caminhamos juntos sem consciência de viver ou morrer.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Duas vezes não se faz

Eu e meu irmão na Ponta do Cabo Branco, extremo oriental das Américas, em 1983. 
Hoje, esse lugar só existe nessa fotografia.

....

                             Hermano José


Não se faz duas vezes;
A inclinação do Cruzeiro do Sul,

A rotação diversas dos Astros
A luz solar riscando madrugadas,
Crepúsculo incediados
para o sono dos pássaros.

Duas vezes não se fará:
O rumor das ondas
por cima de caranguejos translúcidos.
Chuvas tropicais
Resvalando em rios caudalosos,
pororocas notunas,
Revolvendo assombrações.

Mas, se fará:
Negras espumas de óleo subterrâneos
Nuvens asfixiantes em horas imprevisíveis,
Mortos mares naufragados em detritos,
Deserto de verdes calcinados,
terra desfigurada de pólo a pólo,

Terra inútil
Túmulos rejeitado
De fracasso humano.


DUAS VEZES NÃO SE FAZ. Documentário, 12 minutos, DV – 2008
Um Filme poema sobre a Ponta do Cabo Branco, extremo oriental das Américas, mostrando sua lenta degradação pelas correntes marítimas e o fluxo das marés, acentuando nas últimas décadas pela intervenção humana. Um grito de alerta para a preservação de um dos mais importantes monumentos naturais do Brasil.