domingo, 4 de novembro de 2012

Remorso

Olavo Bilac
Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas que ando,
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi a primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! Com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Céu de outubro


Halanna Nóbrega


Olhe para céu de outubro!
E perceba o anúncio do fim de mais um ciclo.
Sentir o vento correndo pela casa
Batendo as portas e as janelas
Afirmando que o planeta é vivo e que o tempo existe!

Olhe para o céu de outubro!
É momento de planejar o que há por vir
Baseado no êxito das nossas ações cotidianas
Por meio do trabalho e do conhecimento alcançado
Dos resultados que chegam devagar
Mesmo diante de tanta correria!

"A existência não é apenas uma porção condensada de energia!
Mas a projeção tridimensional de tudo que invade os nossos sentidos."(*)
Jamais se permita parar no tempo, como se ele não existisse!

O tempo só deve ser esquecido, que passa
Quando os nossos sonhos estão se realizando!
Então sinta, relaxe e tome um drink.
Brindamos. Vivamos.
É o que nos cabe fazer!

Olhe para o céu de outubro!
Nas manhãs e nas noites de paz.
Na brisa úmida do suor do mar.
Ou mesmo na aridez do sertão distante.
No entardecer de um dia lindo ao longo da estrada.

Olhe para o céu de outubro!
E respire fundo até encher os pulmões
Capturando os orgones da atmosfera
Que fortalecem teu princípio vital.

Contemple o céu de outubro...
Permitindo que a bondade o preencha de prazer,
Abra as portas do coração para os que te querem mal.
Perdoa!
Eles podem se tornar amigos fantásticos!

Contemple o céu de outubro...
pela varanda, da janela do carro ou pelo retrovisor
Mesmo nublado, estrelado ou cinza...
E seja grato por tudo que Deus te deu.

(*) Trecho da poesia de Ricardo Fabião
curvasdapalavra.blogspot.com.br


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O doce encanto das trinta primaveras



Halanna Nóbrega


Numa vida atípica entre tantos extremos           
Me encantei com a causa da minha dor
Descobri o doce encanto das trinta primaveras:
Do sonho utópico da mocidade à razão cruel da maturidade!

Quero mostrar nesses primeiros versos
O quanto mudei em apenas dez mil dias!
Puxei a venda da ilusão dos olhos... tão regressos!
A luz apagou a turbidez e o calor aqueceu minhas mãos frias

Nas estações da velha jornada, conheci a solidão.
Mesa farta, casa cheia... velando o sono dos inocentes!
e estive tão só em plena multidão...
Outono, primavera, inverno e verão.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Só enquanto for pra sempre

 

Leandro Cesaroni

Nossos dias serão dias
Embrulhados pra presente
e trarão, em poesia
tudo aquilo que a gente
entregou à displicência
ou, então, não deu valor...
por se amar com tanta urgência
Sempre ansiosamente,
sem prever que lá na frente
Muito tempo vai se expor...

Só enquanto for pra sempre
Só enquanto for amor.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Eu cantarei de amor tão docemente



Luís de Camões

Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Soneto


Ronaldo Cunha Lima
(O poeta)

Pressentindo emoções, que hão de vir,
Temo não preencher os seus espaços.
Vou dividir meu ser e ser pedaços,
Substabelecendo o meu sentir.

Cada parte de mim vai se incumbir
De uma só emoção, definir traços,
Dizer do ajustamento dos abraços
E tudo, fielmente, traduzir.

Cada fração, então, irá cuidar
Do sorriso, da lágrima, do olhar,
De modo transparente e bem visível.

Que paz e harmonia haja entre elas.
Do contrário, abrirei novas janelas,
Voltarei a ser uno e indivisível.


"Não falo dos sonhos que realizei. Se Deus tivesse admitido todos, não seria apenas generoso - seria pródigo. Como pródigo, aliás, o tem sido na dadivosa capacidade de me fazer sonhar."
Ronaldo Cunha Lima

sábado, 7 de julho de 2012

Ronaldo: A tradução do verbo amar



Bruno Farias
(O  poeta)

O Criador, em seu insondável plano,
Fez de Ronaldo não só um ser humano,
Pois o Poeta “É” sentimento para mim.
E por ser sentimento nunca terá fim,

Afinal, a sua vida se povoa
Dentro do coração de cada pessoa
Que vibra, que sente, que chora, que ama.
Ronaldo “É” o verso que se declama

E a alma boêmia da mesa de bar.
Ele “É”a inspiração solta no ar,
A rima que todo poeta quis compor
E a TRADUÇÃO mais perfeita do AMOR.

Se um dia ele nascesse de novo,
Voltaria como “ÍDOLO DO POVO”,
Como líder político das multidões,
Como poeta movido pelas paixões,

Como homem à família dedicado,
Como filho, esposo e pai tão amado.
Ronaldo “É” saudade; “SERÁ” presença.
Pois, enquanto alguém amar de forma intensa,

Cristo, que fez dele uma obra-prima,
Vai operar o milagre reluzente
De ressuscitar no coração da gente
A vida de Ronaldo Cunha Lima!!!





Homenagem ao grande Poeta paraibano, Ronaldo Cunha Lima.
* Guarabira, 18 de março de 1936
+ João Pessoa, 7 de julho de 2012

terça-feira, 3 de julho de 2012

Aos nossos pais



Rui Barbosa

Se um dia já homem feito e realizado,
sentires que a terra cede aos teus pés
que tuas obras desmoronam,
que não há ninguém a tua volta para te estender a mão,
esquece a tua maturidade,
passa pela tua mocidade,
volta a tua infância e balbucia, 
entre lágrimas e esparanças.
As últimas palavras que restarão na alma:
"Minha mãe, meu pai."

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Desatino






Halanna Nóbrega

Não me olhas...
Por que teu olhar me desarma.

Não me pedes...
Porque eu não sei te negar.

Não me deixes te ver triste...
Porque meu coração entristece junto.

Mas se tu me queres...
Me abraça e a magia da genuína alegria irá surgir!

E se tu me desejas...
Beija-me loucamente e faz brilhar as estrelas do meu céu.

“Abraçar é encostar um coração no outro."
Rita Apoena.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Noites



Cezar Sturba

“Fuja! Finja que ninguém viu!
Fuja dessa liberdade conquistada com suor
E volte para seu lar horrível,
Para gritar até entupir seu pai apodrecido

Fuja mais uma vez, na ponta dos pés,
E arranje olhos novos,
Roube um par de luvas
Toque seu Deus no lábio e aceite qualquer convite

Nademos até a noite, erremos pelas ruas
Enquanto o vendaval arruína meus cabelos.
Tijoladas não quebram aquelas vidraças.
Seus gritos venéreos dizem alfabetos estranhos.
Sua saliva tem cheiro de chuva nova.
Que belo ruído nefasto quando move os olhos
E a serpente ígnea foge das nossas veias

Calcei uns sonhos que você, louca, trazia nos cabelos
Lambi as delícias úmidas de sua meia-lua
Para que não me diga a que horas a vida começa
Nem qual o melhor lugar para o espetáculo
Apenas traga aquele liquido negro, como da outra vez, e
Se atire comigo até amanhecer.”


domingo, 13 de maio de 2012

Para mamãe!



Halanna Nóbrega

Minha mãe é, além de ter sido instrumento de Deus para nos trazer ao mundo, nos educar, alimentar e fazer de seus quatro filhos pessoas de bem, exemplos de seu exemplo, dentre muitas outras coisas. Ela é advogada (talentosa), motorista, cozinheira (das melhores que já vi), empresária, agricultora (agroecológica), eletricista, gestora, consultora, costureira, patroa, recepcionista, vendedora,  secretária (do meu pai), conselheira, professora, recreadora, pedreira, encanadora, é incrível... ela sabe fazer de tudo um pouco e entende um pouco de tudo. É linda, é mulher, tem um coração infinito. É simples, é forte, é além disso, e tantas outras profissões que eu nunca vou conseguir elencar por completo, é a avó dos sonhos de qualquer criança. E ainda a pessoa mais corajosa que já conheci!
Perdão minha mãe, por todas as lágrimas que algum dia, por minha causa, te fiz chorar. Ainda que eu tivesse mais de dez mil vidas pela frente, somente para te servir, não seria suficiente para retribuir e agradecer tudo que já fizeste por mim, para que eu chegasse até aqui. 
Eu jamais seria tão feliz se tivesse nascido de outro ventre!

À ti,
o meu imenso amor, a minha inteira gratidão e minha admiração sem fim.

Amo-te minha mãe!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Prefácio




Ricardo Fabião

Ah, se fosse somente a morfologia dos sentimentos...
Amar, simplesmente amar, como seria?
Ah, se então se revelassem os segredos da felicidade,
Que se daria?
Antes, há que se atentar para a sintaxe do dia-a-dia,
E tentar sobreviver às sutilezas dos complementos,
E apurar os predicados e selecionar bons adjuntos.
Há por bem que se traduza a semântica dos olhares,
A pragmática dos sorrisos, como eles se abrem;
Convém que se classifique um aperto de mão,
E as intenções dos sujeitos,
E as entonações dos predicativos,
E os porquês dos superlativos,
E a transitividade dos que se aproximam...
Viver é evento de mil conjugações.
É irregular, intransitivo, indefinido,
É substantivo de qualquer classificação;
Não tem gênero, e seu número é o mundo inteiro.
Viver é gramática que dispensa professores,
Todavia, exige amores, dores, suores;
Espalha-se em desinências múltiplas e formas livres,
Avança para além dos objetos, das pessoas, dos modos, dos tempos.
Sendo assim, conjugação simples,
Viver não é mais difícil que falar,
E cai bem como advérbios, para início, meio, fim e depois;
E tem caminhos e facetas como pronomes;
Está no contexto, fora dele, tentando fazer parte.
É termo simples, sendo indeterminado e palpável.
É comum de dois ou de todo mundo;
É vocativo, clamando por espaço;
É aposto, reforçando o inexplicável;
É período simples e composto.
Está por trás das linhas,
Deslizando entre as vírgulas,
Anterior ao discurso,
Após o ponto final.
Na reescritura.

sábado, 24 de março de 2012

Ancestrais


Jessiely Soares


Mas eu era como o vento
e como o vento
eu passei.

As marcas ficaram pequenas
e todos os símbolos, antes esculpidos na lava,
agora estavam sólidos.

Tudo já estava longe.

Porque na ordem das coisas
tudo se consome.
Tudo foge.
Até os ares desses tempos amenos se convertem

Só no dia em que as areias amanheceram
com um sereno que nada reconhecia,
e começaram a reconstruir a poeira dos sonhos

espalhando-se...

o que já não existia mais
Acabava por tocar meu rosto.

Desde então você está em mim
e isso parece querer durar a vida inteira.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Graças Livinha "Bela", graças à tua estrela!





                                                                                                                                                   "Mamãe"


À ela,
que representa todas as minhas conquistas,  glórias, e ainda,  que faz entender o ensinamento de todos os meus fracassos.    
Quem é motivo maior de toda a minha vontade de vencer!
À ti, sangue do meu sangue;
À ti, criada da carne, fruto do amor verdadeiro e vivida no afeto!
À  perpetuidade do meu código genético, da minha própria existência, de todos os nossos antepassados;
Sempre de todos os motivos, que somente eu e Deus, em nossa intimidade mais profunda, sabemos!
Por estar viva, por me ensinar a ser melhor a cada dia;
pelo amor, pelos dias tristes, difíceis... pelos dias alegres,
pela ternura, pela solitude, pela dor e pelo prazer;
Por tantos outros motivos que ainda é cedo, somos pequenos demais para entender.
Muito pequenos!

À minha AMADA filha:
ANA LÍVIA CAVALCANTE DA NÓBREGA NEVES CARDOSO.
Somente te agradecer, e festejar,
pelos teus 9 anos!
Simplesmente, por EXISTIR!
Amo-te, infinitesimalmente!
De todo o meu (teu) coração!!!

Tua alegria, é a minha alegria! Tua dor, é, e sempre será, muito mais que a minha dor. Tua felicidade é a minha felicidade da forma mais doce, mais plena e mais prazerosa de sentir!
Halanna Cavalcante da Nóbrega Neves 
("Mamãe")

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Outros Carnavais

Hildeberto Barbosa Filho
[Correio das Artes]



I
Quando o primeiro bloco
passar na rua,
marcarei passo
num verso comovido...

Rasgarei a máscara
de antigos carnavais,
e me lançarei no perfume
das marchas agitadas
do coração
em lugar de desfilar pela
pela avenida...

Brincarei nos três dias
meu sonho do ano inteiro
sem chorar na quarta-feira!

II
A folia que me assalta,
sem confete e serpentina,
dispensa o Zé Pereira
e a fantasia.

Dispensa o Pierrot e a Colombina;
o frevo e a festa;
o samba e o susto.
Dispensa tudo que é três dias!

Na solidão tecida,
a folia que me assalta,
tem gosto de quarta-feira.

É carnaval feito de cinzas...

III
Não fui rei
de outros carnavais,
mas guardei a coroa
de anônimo folião:
saudade alguma do que passou!

Fiz do batuque cardíaco
o trio-elétrico que me levou
à vida
em lugar de me perder na multidão.

Finalmente se estragou a fantasia.
E do samba que não fez escola
eis o enredo que restou...

Verso e Prosa



Ricardo Fabião


Músicas...
dezenas de outras músicas
eu cantaria pra você
Versos...
milhares de palavras
em verso e prosa pra dizer
que tudo é tão incerto
amigos sempre perto
fica mais fácil
Nascendo e morrendo,
nosso amor crescendo mágico
Místico raiar do sol
que é pai da luz que brilha em você
natural.
Amor demais
um leva-e-traz de dor eterno
e nada pode desfazer
se tudo é complicado
amigos lado a lado
fica mais fácil.
Nascendo e morrendo
nosso amor crescendo
e isso não passará...

Nem que cessassem todos os telefonemas
e esquecêssemos todos os poemas
ficassem mudos todos os fonemas
mesmo que não fôssemos ao cinema
e se amar também não mais valesse a pena
ainda assim haveria um jeito
de expressar o meu carinho por você!