quarta-feira, 30 de maio de 2012

Noites



Cezar Sturba

“Fuja! Finja que ninguém viu!
Fuja dessa liberdade conquistada com suor
E volte para seu lar horrível,
Para gritar até entupir seu pai apodrecido

Fuja mais uma vez, na ponta dos pés,
E arranje olhos novos,
Roube um par de luvas
Toque seu Deus no lábio e aceite qualquer convite

Nademos até a noite, erremos pelas ruas
Enquanto o vendaval arruína meus cabelos.
Tijoladas não quebram aquelas vidraças.
Seus gritos venéreos dizem alfabetos estranhos.
Sua saliva tem cheiro de chuva nova.
Que belo ruído nefasto quando move os olhos
E a serpente ígnea foge das nossas veias

Calcei uns sonhos que você, louca, trazia nos cabelos
Lambi as delícias úmidas de sua meia-lua
Para que não me diga a que horas a vida começa
Nem qual o melhor lugar para o espetáculo
Apenas traga aquele liquido negro, como da outra vez, e
Se atire comigo até amanhecer.”


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