Hildeberto Barbosa Filho
[Correio das Artes]
I
Quando o primeiro bloco
passar na rua,
marcarei passo
num verso comovido...
Rasgarei a máscara
de antigos carnavais,
e me lançarei no perfume
das marchas agitadas
do coração
em lugar de desfilar pela
pela avenida...
Brincarei nos três dias
meu sonho do ano inteiro
sem chorar na quarta-feira!
II
A folia que me assalta,
sem confete e serpentina,
dispensa o Zé Pereira
e a fantasia.
Dispensa o Pierrot e a Colombina;
o frevo e a festa;
o samba e o susto.
Dispensa tudo que é três dias!
Na solidão tecida,
a folia que me assalta,
tem gosto de quarta-feira.
É carnaval feito de cinzas...
III
Não fui rei
de outros carnavais,
mas guardei a coroa
de anônimo folião:
saudade alguma do que passou!
Fiz do batuque cardíaco
o trio-elétrico que me levou
à vida
em lugar de me perder na multidão.
Finalmente se estragou a fantasia.
E do samba que não fez escola
eis o enredo que restou...

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