sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Poema

Ricardo Anísio


Como me arde assim em desencanto
A minha alma quedada ao desalento
Talvez n’algum mar sem tanto pranto
Possa eu navegar-me ao descontento

Quiçá naufragar-me-ei sozinho
E do sinistro salvar-se-á a humanidade
Ou então que eu renasça desse espinho
Que meu coração perpassa sem alarde

Não hei de confessar-me degredado
Quando ainda restar-me a primavera
Inalarei odores do pomar sagrado
E erguerei meu túmulo na quimera

Sendo assim estarás me afagando
Quando tuas mãos deitares na borrasca
E a chama estará em mim se apagando
Porque sem ti meu peito é de nevasca!



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