Ricardo Anísio
Como me arde assim em desencanto
A minha alma quedada ao desalento
Talvez n’algum mar sem tanto pranto
Possa eu navegar-me ao descontento
Quiçá naufragar-me-ei sozinho
E do sinistro salvar-se-á a humanidade
Ou então que eu renasça desse espinho
Que meu coração perpassa sem alarde
Não hei de confessar-me degredado
Quando ainda restar-me a primavera
Inalarei odores do pomar sagrado
E erguerei meu túmulo na quimera
Sendo assim estarás me afagando
Quando tuas mãos deitares na borrasca
E a chama estará em mim se apagando
Porque sem ti meu peito é de nevasca!
Nenhum comentário:
Postar um comentário