sábado, 18 de abril de 2015

Victória...

Ricardo Fabião

Victória...

Guardei para ti todos os meus verbos para dizer plenitude, e nasceste... Agora, cresces diante de mim. Daí que me ponho à plateia para ver o teu espetáculo de ser no mundo. 
É difícil, enquanto pai, colocar-me ao fundo, sentado na última fila, para não intervir com olhos excessivamente interventores na marcação do texto que interpretas nos dias. O texto da tua vida é teu. Eu só aprendo com isso. Peço-te, tão somente, que me leves contigo, ainda que abstratamente, já que comigo és, estás, vives, desde que eras uma possibilidade. Creio que a matemática mais complexa não daria conta de explicar essa intrigante conta que é amar algo fora, sabendo que, inversamente por dentro, esse mesmo amor, em incessante fluxo, indo à coisa amada, voltando ao amador, é infinitamente maior que todas as possibilidades de percebê-lo.  As palavras, mais uma vez, e eu tentarei todas com essa intenção, não conseguem revelar a contento toda a anatomia do meu amor por ti.

Parabéns, minha filha.
Seja feliz consigo.


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