sexta-feira, 27 de maio de 2016

Você reconhecerá quando o amor chegar


Bruna Breck
Cronista do Jornal da Paraíba

Nesta vida marcada de encontros e desencontros, chegadas e partidas, aceite a entrega e escolha as pessoas que preferem ficar. Amores tóxicos e relações autodestrutivas se tornaram uma constante… Vivemos na busca incansável por romances perfeitos e muitas vezes vamos nos perdendo no meio do caminho.
Idealizamos companheiros impecáveis, amores irretocáveis, mas nos deparamos com estelionatários sentimentais e sequestradores de alma. Amar nos dias atuais é ato revolucionário e exige coragem dos poucos que ainda se aventuram por esse universo desconhecido.
Os jogos da conquista existem, vários picaretas escrevem livros com as regras da sedução, é possível resumir toda a obra produzida: “não faça sexo no primeiro encontro”; “não ligue no dia seguinte”; “não demonstre interesse”, “não se mostre disponível”… Isso é esquizofrênico e destrói a beleza da espontaneidade do amor!
Ter um coração sedentário e não ser adepto das práticas desportivas afetivas nos presenteia com as surpresas do destino. Pessoas robotizadas, que seguem padrões e escondem ou fingem emoções não é nada acolhedor, apresentam o lado frio e teatral dos vínculos superficiais.
Não controlar impulsos e seguir os desejos nos humaniza, nos aproxima e nos une. Amar sem burocracia, sem protocolos, sem horários e sem medos! Entregar-se sem desconfiança e pular em abismos!
É uma época de crise – política, cultural, social, emocional – escolheram os “cinquenta tons de cinza” e abandonaram a mistura de cores. Os laços são rasos e transitórios, somos a geração do “troca-troca”… Se o casamento não deu certo, nos separamos, se o namoro está ruim, rompemos, não há vontade de tentar, não consertamos, jogamos tudo fora e queremos um amor novinho em folha.
Nós temos vergonha de fraquejar, afinal, amar é decretar falência múltipla dos órgãos, é nocaute, é invasão, é golpe, é regime ditatorial, é coma induzido! Já dizia meu velho Charles Bukowski: “O amor é um cão dos diabos, é para os que aguentam a sobrecarga psíquica.”
Podemos escolher entre a covardia e a coragem, entre a zona de conforto e a bagunça das paixões! Nos resta seguir em frente, com tropeços, algumas fraturas expostas e muitas histórias.
Quando o amor chegar nós o reconheceremos, será leve e não nos causará tantas perdas e danos… Ele não nos fará esperar, não desligará o telefone, não aparecerá apenas nos momentos de carência sexual e não trará dúvidas! Não chegará com aquela coleção de desculpas esfarrapadas: “O problema não é você, sou eu”; “Não estou preparado para nenhuma relação agora”, “Eu preciso de um tempo”… Entendam, o amor tem pressa, fome e sede! Para os apaixonados não há amanhã!
Então, quando amor chegar, aceite! Ele virá através de momentos simples, um colchão na varanda, uma rede no domingo e nada mais (e você terá o mundo).

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